Projeto Pedagógico

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Aprender a tocar um instrumento pode ser muito mais do que desenvolver habilidades físicas, estimular a memória ou mesmo repetir padrões apreendidos em horas e horas de exercícios, na maioria das vezes apenas processos mecânicos intermináveis. O contato mais próximo com a música, ou com a arte de maneira geral, deve contribuir de maneira efetiva para a sensibilização do indivíduo e para a construção de sua/nossa cultura. Quando se trata de educação musical infanto-juvenil então, é essencial pensar em novos caminhos que nos permitam utilizar e preservar as mais importantes qualidades de nossa infância: a alegria e a liberdade. Mantidas essas qualidades, a dedicação e a disciplina não precisam ser impostas, pelo contrário, transformam-se em decorrência do prazer de se fazer o que se gosta.

Em inglês “play”, em francês  “jouer” e, em várias outras línguas, a palavra utilizada para se “tocar” um instrumento é a mesma usada para “brincar”. Grandes músicos costumam se referir a seus instrumentos de forma pessoal, quase como se estivessem falando de um amigo, e bons amigos não costumam ser “chatos ou cansativos”.  Resumidamente, o estudo da música não deve em nenhum momento fazer com que nos esqueçamos da beleza e do prazer que nos motivou a iniciá-lo.

Quando falamos da educação musical ligada à área da responsabilidade social e para que possamos caminhar na direção do rompimento definitivo com os efeitos da pobreza, da falta de acesso a uma educação de qualidade e à cultura de maneira  geral, devemos também rejeitar  qualquer forma de preconceito e ter a compreensão de que todos nós somos especialmente únicos, com características e potenciais diferenciados. O “tamanho” do talento individual e as dificuldades financeiras não podem ser um fator restritivo ao desenvolvimento do aprendizado. Musicalmente, é imprescindível oferecer acesso a todas as formas de expressões musicais, sejam eruditas, folclóricas ou populares. Devemos fomentar o contato com artistas e outros grupos com as mesmas características, incentivando o reconhecimento de exemplos de sucesso. Por último, mas tão essencial quanto, é a integração com a família. Apenas com essa proximidade conseguiremos conhecer um pouco melhor nossos aprendizes, criar laços mais reais e duradouros e irradiar as vantagens do contato sensível com a arte e a cultura para um número maior de pessoas.

Em nosso projeto optamos pela criação de cursos profissionalizantes, que oferecem formação completa na área instrumental da música sinfônica. Baseiam-se em método próprio de ensino e material didático, criado especificamente para o projeto, onde valorizamos:

· Aprendizado pela prática coletiva.
· Avaliação contínua do aprendizado, porém sem utilização de conceito de “nota”. O aluno é avaliado pela conquista de “metas”, estabelecidas de acordo com sua capacidade, a fim de respeitar e possibilitar o aprendizado dentro do potencial individual de cada um.
· Identificação das questões “teóricas” apenas após a experiência “prática”. A prori, todo conteúdo teórico é apresentado de forma prática, a partir da real experiência musical. Apenas após a sedimentação desse conteúdo, a informação é disponibilizada teoricamente. Promove-se assim a sensibilização musical e o desenvolvimento da intuição artística, aspectos muitas vezes relegados em métodos pedagógicos mais ortodoxos.
· A “performance” como parte essencial do aprendizado. As apresentações e concertos serão considerados como “a parte final do aprendizado”, quando tudo o que foi aprendido é colocado à prova e, dessa maneira, definitivamente sedimentado.
· Aprendizado e atuação tanto na área erudita como folclórica e popular. Assim, oferecemos aos nossos alunos a possibilidade de aquisição da fluência em qualquer estilo musical e a consequente flexibilização e ampliação de sua futura atuação profissional.
· Criação de cursos especialmente para o projeto, como “Histórias da Música”, nos quais os alunos terão condições de perceber suas próprias capacidades e potenciais.
· Atividades complementares como assistir a concertos e shows, visitas a fábricas de instrumentos e outros.
· Proximidade e integração com a família.

Maestro Paulo Rydlewski