Orquestra abre oportunidades para crianças e jovens de baixa renda de Paraisópolis

12 de fevereiro de 2015
Criada em 2010, a filarmônica, com 187 alunos, promove gratuitamente a inclusão social e profissional por meio da música

A Orquestra Filarmônica de Paraisópolis nasceu de um sonho de seus criadores de promover a inclusão social e dar oportunidade, por meio da música, para realização de curso profissionalizante e crescimento educacional e artístico, para 25 mil crianças e jovens da comunidade, na zona sul da Capital.
Criada em 16 de setembro de 2010, a orquestra conta atualmente com 187 alunos matriculados. Oferece, gratuitamente, cursos de instrumentos de orquestra, teoria musical, atividades culturais complementares, uniformes e apoio psicológico a todos os participantes.

A orquestra surgiu de uma parceria entre o maestro Paulo Rydlewski, e o presidente da União dos Moradores e do Comércio de Paraisópolis, Gilson Rodrigues. Entre os participantes, estão crianças com necessidades especiais.
O cantor e compositor Ivan Lins é um dos artistas que apoiam a orquestra. “Que me desculpe o John Lennon, mas o sonho não acabou”, disse Ivan, patrono da iniciativa.
O corpo de músicos da Orquestra Filarmônica de Paraisópolis é composto pelos 58 alunos mais experientes, todos formados a partir dos estudos desenvolvidos no local, onde são realizados os ensaios duas vezes por semana. Os roteiros das apresentações são os mais diversos, incluindo desde a própria comunidade até teatros do interior e da Capital, como, por exemplo, o MASP (Museu de Arte de São Paulo).

Método exclusivo

A Orquestra Filarmônica de Paraisópolis utiliza método pedagógico próprio, com ênfase no aprendizado coletivo. Por meio de aulas práticas, o aluno é introduzido à teoria musical e aprende a tocar o instrumento de maneira lúdica e espontânea. São ensinados todos os estilos musicais: erudito, popular e folclórico. Além disso, faz parte do trabalho incentivar a leitura e a integração familiar.
Os alunos possuem instrumentos próprios – comprados pela Orquestra -, não necessitando mais compartilhá-los entre si. Todos os professores têm curso superior e atuam em orquestras profissionais na cidade de São Paulo. Após três anos de atividades, os estudantes já graduados passam a exercer atividade de monitor para os iniciantes. “Ao longo destes quatro anos de atividades, descobrimos valores artísticos surpreendentes. São jovens que até então tinham poucas perspectivas, mas agora estão construindo um novo futuro para suas vidas”, afirma o maestro e diretor da orquestra.
Pós-graduado pela Academia Franz Liszt de Budapeste e com mestrado em Musicologia pela Universidade de São Paulo, Rydlewski, ao longo de 25 anos de carreira, estudou com mestres como Leonard Bernstein, John Cage, Peter Öetvös, György Kurtág e Eleazar de Carvalho.

Bolsas de estudo

A partir do ano passado, a orquestra passou a ser reconhecida pelo Ministério da Cultura. O reconhecimento alçou a Filarmônica de Paraisópolis à categoria de escola de música, por ser uma instituição de caráter perene, educativo e social.
Os estudantes com reais condições de se profissionalizar passaram, também, a receber bolsas de estudos. São contemplados aqueles com idades entre 16 e 18 anos, que, mediante a avaliação de seus professores, destacam-se pelo estudo e talento.

Paraisópolis

Paraisópolis tem se esforçado para se transformar em um novo bairro da cidade de São Paulo. A comunidade nasceu nos anos 20 de um loteamento de 2.200 pequenos terrenos, e atualmente ocupa uma área de 800 000 metros quadrados de área total, o equivalente a 97 campos de futebol.

Com uma população estimada entre 80 mil e 100 mil moradores, Paraisópolis pretende ser a primeira comunidade do Brasil a erradicar o analfabetismo. Seis de cada dez moradores são jovens de até 25 anos de idade.